Já que caí da cama, resolvi transformar o dia em especial. Para começar, um café da manhã naquele lugarzinho charmoso com pessoas interessantes. Pessoas que podem ler o jornal até 10 horas da manhã são sempre interessantes. Fui muito bem atendida. Tanto pelo garçom quanto pelo sol que, aos poucos, foi iluminando os croissants da vitrine. Um latte e um pãozinho com passas, por favor. Há ocasiões e ocasiões. Esta pedia um latte, não uma média.
Tudo perfeito até sentar-se ao meu lado, nada mais nada menos, que a miss bixete ESPM 1991. Simplesmente não acreditei. Ela estava igualzinha. Os mesmos cabelos loiros, o mesmo corpo cobiçado, o mesmo jeito surfista de falar. Acompanhada de um japonês tirado de “Encontros e Desencontros”, ela agora falava sobre documentários brasileiros. Sim, a miss bixete falava sobre últimos documentários brasileiros, será que eu também havia mudado tanto? Nenhuma ruga, nenhuma gordurinha a mais, provavelmente nenhum contratempo como filhos e maridos.
Engoli o latte e o pão com passas. Tudo que eu não queria aquela hora da manhã era ser reconhecida, embora, muito provavelmente, isso não fosse acontecer. Eu não era a mesma de 17 anos atrás. Muito menos a miss bixete.








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