Arquivo para a categoria 'Pecados capitais'

3- Inveja (dos 7 pecados capitais)

O guloso é um gourmet.
O ambicioso, um profissional de sucesso.
O avarento fica cheio da grana.
O ninfomaníaco tende a ser bom de cama.
O preguiçoso é um bon vivant.
O irado coloca a raiva pra fora.
E o invejoso é um babaca.

Posso estar enganada, mas não sinto inveja de ninguém. Nem aquela inveja branca, como dizem os invejosos mentirosos. Ou as pessoas à minha volta são muito pouco interessantes ou aprendi a não me achar pior do que os outros. É o que acontece com quem passa a vida inteira sentindo inveja. Quando percebe que não dá para ser diferente, come um chocolate.

inveja

2- Avareza (dos 7 pecados capitais)

Sou uma pecadora graças a Deus!, mas confesso que a avareza não está entre as minhas maiores virtudes. Deve ser porque ela é, na verdade, um anti-pecado. Toda vez que penso nisso me vem à cabeça a própria igreja católica dizendo “não faça, guarde todo o seu dinheiro para quando for para o inferno, lá você poderá gastar tudo em baladas quentes com outros presuntos milionários.”

Todos os outros pecados giram em torno da inconseqüência, mas a avareza é exatamente o oposto. É a castração. E, pode reparar: quem sempre corta o barato é o avarento. É ele que lembra das obrigações, das contas que não quer pagar e de tudo que também não vai fazer com o dinheiro guardado. O avarento é o cara que faz uma previdência privada bem gorda na ilusão de que vai deixar de ser avarento quando for velhinho.

Sou do tipo que ganha e gasta, ganha e gasta e, assim, passam-se os anos sem que eu consiga guardar um único realzinho para os dias que não terei mais forças para gastar. Jamais deixo de fazer alguma coisa que estou com vontade para economizar. Posso até não ter o dinheiro, mas para que serve o cartão de crédito senão para parcelar nossas dívidas em até 12 vezes?

Quando digo que não escondo grana embaixo do colchão, não quero dizer que não gosto de dinheiro. Muito pelo contrário. Gosto tanto que sempre acho alguma coisa para fazer com ele. Esse meu pseudo-desprendimento também não faz de mim uma alma caridosa. Não saio por aí distribuindo notas de cem reais, apesar de comprar aqueles chicletinhos de retrovisor vez ou outra.

Vivemos num mundo movido a dinheiro e pecar custa caro. Quem não abre a carteira, não faz nada. Principalmente, em excesso. Se você é do tipo que acha que dá para ser feliz sem dinheiro, ótimo. Admiro. Para mim, não tem paz sem dinheiro, amor sem dinheiro e todas estas coisas maiores sem dinheiro. Não acredito no “amor e uma cabana”. Aliás, na minha opinião, não existe relacionamento que sobreviva à uma casa sem empregada pelo menos 3 vezes por semana.

Nada mais pertinente que falar em avareza nesta época do ano. Os shoppings estão lotados. Nem com a economia em baixa, o pessoal resolve pecar. Sem contar os extras de Boas Festas. É caixinha no prédio, presente para as professoras, lembrancinhas em geral, esmolas mais gordas. Só não vou falar do quanto se gasta em comida porque daí já entro num próximo texto.

Agora, se existe alguém realmente avarento, este é o Papai Noel. O bom velhinho é herdeiro único de uma fábrica de brinquedos que não pára nunca, tem inúmeros ajudantes não remunerados, não paga gasolina e só aparece uma vez por ano. Quando aparece. Porque, ultimamente, tem vindo com aquela desculpinha de que não existe.

avareza

1- Preguiça (dos 7 pecados capitais)

Como sou o tipo de pessoa que comete os sete pecados capitais, quase que diariamente, resolvi homenageá-los escrevendo um texto para cada um. Aqui vai o 1º da série – a preguiça.

A preguiça está diretamente ligada à iniciativa. Quando digo: é hoje que vou até o banco fechar aquela conta que só movimenta taxas, a preguiça vem. E, pelo menos, meia hora antes. A preguiça não tem preguiça, ela está sempre adiantada. E como fazer preguiça é, na maioria das vezes, melhor do que fazer outra coisa, fica difícil resistir. Até, porque, o preço que se paga por entregar-se à ela é a perda de tempo. E o tempo não foi feito para ser guardado.

Uma vez que você abre a frestinha da porta para a preguiça, as chances dela entrar, se acomodar no sofá, e ficar sentada o resto do dia são grandes. A preguiça não vem e vai. Ela é cúmplice de tudo que a gente faz, se esconde atrás da vontade, é uma verdadeira profissional. Temos certeza absoluta que não está lá, daí, do nada, ela aparece. Minha mãe diz uma frase que resume tudo: “Se precisar de algum favor, peça para uma pessoa ocupada”.

E, por falar em resumo, taí a materialização da preguiça. Vivemos a era do resumo. Resumimos conversas, desculpas, até sentimentos. A versão na íntegra sempre fica para depois. E nunca vem. Travestida de impossibilidade, a preguiça instaurou o “pela metade”. E a gente foi vivendo, assim, meio por cima. Se a culpa é da vida moderna e não há mais tempo para sermos gente de verdade, eu não sei. O fato é que o dia sempre teve 24 horas. Do período glacial ao pós-internet.

Diferente de outros pecados, a preguiça vem em três graus de intensidade. Tem a preguicinha (é só respirar fundo) que passa, tem a preguiça que resiste a todos os impulsos do corpo, e tem a preguiça máster – aquela que reina absoluta e não vai embora nem por um… Deixar de ir ao banco para fechar a conta inativa é, para mim, uma preguiça de grau três e, por isso, vence. Mas, eu não deixo a preguiça me dominar. Quero viver. E cometer outros pecados.

O dia-a-dia é feito de pequenas preguiças. O elevador, por exemplo. Esperar o elevador dá preguiça, entrar no elevador lotado dá preguiça, pedir aos passageiros darem aquela afastadinha para você sair, dá uma baita preguiça. O pedágio, então, é a preguiça presa numa cabine. Só de olhar ele chegando… depois ficar na fila… e esperar a mulher dar o troco? Quilômetros de preguiça.

A lista da preguiça é interminável. Entrar no banho, sair do banho, fazer xixi no meio da noite, baliza, tirar as compras de supermercado, levar o carrinho de volta para a garagem, falar, levantar do restaurante, levantar de qualquer lugar, parquinho, encher o tanque de gasolina, esportes (todos eles), passar creme, pendurar a toalha, caixa eletrônico, voltar para pegar o casaco, perder o controle remoto da TV, e-mails, apagar a luz, amigo secreto, pediatras, dermatologistas, oculistas, tele-marketing – nem vou falar das(o) operadoras de tele-marketing que durmo. Mas, como tudo tem dois lados, a preguiça pode fazer o bem – ai, que preguiça de invadir o Iraque e matar umas pessoas – pena que ela não é tão influente.

Enfim… À preguiça, um abraço apertado e até daqui a pouco. Minha companheira fiel, esteve presente o tempo todo que escrevi este texto.

preguiça

por SheiMim


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