Arquivo para a categoria 'Elucubrações'

Highlights

Sujei a biografia da Patti Smith de torta de morango e, diferente das outras páginas, aquela tem um rodapé cor de rosa.

Venho conversando muito com Deus. O que me faz sentir menos inteligente. Não tenho assunto à altura.

Ontem, fiz um curso intensivo de escrita criativa na Casa do Saber. Três mulheres comentaram sobre o meu vestido.

Acabou o Carnaval e tudo que me ficou foi a morte de uma menina de 3 anos atropelada por um jet ski.

A linguagem das misses

Carla tinha 70 centímetros de busto e 72 de quadril. Menos que Marta Rocha. Loira, olhos azuis e bumbum empinado. 2 metros de pernas que cabiam perfeitamente em seus 1,77 de altura. Nunca quis participar de concursos de beleza, mas era linda. Que remédio.

Seu livro preferido nunca foi O Pequeno Príncipe, apesar de gostar muito da parte que a cobra engole um elefante. Por alguma razão que não compreendia, sentia-se diversas vezes o elefante. Só não tinha fome.

Boa menina e bem nascida. Sua mãe, que nunca foi bonita, era obcecada pela carreira da filha. Seu pai, militar da aeronáutica, sempre temeu que a filha virasse puta. Ainda bem que, caso isto acontecesse, seria das que acompanhavam o alto escalão.

Tímida, temia os palcos. Surda e muda, não podia dizer suas angústias. O que não fazia a menor diferença porque tinha a voz da mãe, o olhar do pai e os aplausos da platéia.

E, assim, conseguiu o que não sabia se queria. Mexeu os dedinhos das mãos para dizer “paz mundial” com tamanha graça que ganhou a faixa de Miss Aricanduva.

Um clichê

Nada mais clichê do que escrever sobre o clichê. Do que criticar os clichês. Evitar os clichês. Lutar pela liberdade de expressão e encher o mundo de clichês. Nada mais clichê do que ter celulites. Não ter celulites porque usa cremes contra celulites, mas só come alface. Falar sobre a celulite de quem não tem. De quem tem. Falar sobre celulite porque quem não tem celulite não tem assunto.

Nada mais clichê do que não gostar de poesia com rimas.

Os anos

Quando fez 60 anos resolveu se lembrar de tudo que fizera nos anos passados.
Só se esqueceu de que fazia isso todos os anos.

1º andar

Angustiado era o porteiro que se apaixonou pela garota do 1º andar. Escondido atrás do balcão, poderia admirá-la pelas câmeras de segurança do elevador.

Se ela não subisse só pelas escadas.

 

 

Tatuagem

Chegou no estúdio do tatuador:

- Quero fazer um coração com uma flecha na virilha e gotas de sangue escorrendo pelas minhas pernas… Ah, e com o nome dele dentro.

- É um nome composto tipo Marco Antônio ou Carlos Eduardo? Daí colocamos o primeiro nome do lado de cá e o outro do lado de lá da flecha.

- Não, é um nome só – Chico.

 

A vidente

Um dia fui visitar uma daquelas mulheres que colocam as cartas na mesa.

Ela olhou uma figura de um cara enforcado, tremeu um pouco, e me disse: é agora ou nunca.

Esperou uma reação minha para que pudesse concluir seus pensamentos mas, como qualquer pessoa enforcada, eu não disse nada.

Nunca mais, o quê? Perguntei. E, de repente, a enforcada era ela.

Resolveu virar outra carta e, desta vez, apareceu uma mulher louca de ácido voando num céu colorido. Liberdade, ela disse. E continuou: É agora ou você nunca mais vai se libertar.

Esperou de novo uma reação minha, mas continuei calada. O cheiro de incenso me entorpecia mais que a maconha que aquela velha tinha fumado.

Libertar, do quê? Perguntei. Naquele momento, o que eu queria era me libertar dela.

Ameaçou virar outra carta, mas fechou o baralho. Não posso continuar, disse. Não é nada com você. Só acho que não estou preparada.

Gelei. Ela estava recebendo o espírito do meu ex-namorado.

Teorias

O tratamento é para o controle dos sentimentos. Segundo a Ayurveda.

Você deita na maca e eles jogam um óleo quente que pode ser de coco, girassol, arroz… cada pessoa tem um óleo como um bicho no horóscopo chinês e um astro segundo aqueles que andam com sandálias de couro e cristais no pescoço.

O óleo quente cai no peito liberando emoções encrustadas igual faz com as bolinhas de nhoque que precisam nadar soltas na panela. Segundo minha mãe.

Cada um tem um peito segundo Darwin. E a ciência genética agora tira o código da placenta da mãe para salvar humanos de tragédias que, segundo os espíritas, são o destino.

O meu óleo escorre durante horas no meu peito para tentar desmaranhar minhas emoções, tudo culpa do meu destino que, segundo os materialistas, foi escrito por mim mesma.

Quando me dou conta, fez da minha dor uma farta porção de batatas fritas que ficam ainda mais gostosas com queijo cheddar. Segundo o New Dog.

Os 30

Aos 30 anos, somos fisicamente o que, aos 10, chamávamos de “grandes” e, aos 15, de “caretas”.

Aos 30, deveríamos mostrar o resultado do esforço dos nossos pais, professores, enfim, da educação que nos foi dada e, supostamente, conseguimos absorver.

No entanto, as aulas, cursos extra-curriculares, sermões e provas serviram apenas para nos transformar em uma pessoa capaz de aprender.

É só aos 30 que estamos aptos a entrar na escola.

Ode ao ódio

Odiar você me dá um baita alívio cardíaco.
Aquela melosidade remelenta colava minhas pálpebras de tanto choramingar pelos cantos waldorfianos.
Estou adorando cuspir palavrões em saliva de PH corrosivo e espirrar onomatopéias ronronais monóxido-carbonizadas.
Escarrar o catarro verde-esperança que há tempos entope as vias satisfatórias é um prazer infinitamente maior que aquele que sempre escorreu pelas minhas pernas atadas.

Próxima Página »


Calendário

maio 2012
S T Q Q S S D
« mar    
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031  

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.