Um dia fui visitar uma daquelas mulheres que colocam as cartas na mesa.
Ela olhou uma figura de um cara enforcado, tremeu um pouco, e me disse: é agora ou nunca.
Esperou uma reação minha para que pudesse concluir seus pensamentos mas, como qualquer pessoa enforcada, eu não disse nada.
Nunca mais, o quê? Perguntei. E, de repente, a enforcada era ela.
Resolveu virar outra carta e, desta vez, apareceu uma mulher louca de ácido voando num céu colorido. Liberdade, ela disse. E continuou: É agora ou você nunca mais vai se libertar.
Esperou de novo uma reação minha, mas continuei calada. O cheiro de incenso me entorpecia mais que a maconha que aquela velha tinha fumado.
Libertar, do quê? Perguntei. Naquele momento, o que eu queria era me libertar dela.
Ameaçou virar outra carta, mas fechou o baralho. Não posso continuar, disse. Não é nada com você. Só acho que não estou preparada.
Gelei. Ela estava recebendo o espírito do meu ex-namorado.
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