A professora distribuiu duas folhas grampeadas para cada um dos alunos com cinco problemas em ordem crescente de dificuldade. O cheiro forte do mimeógrafo tomou conta da sala. Ela tinha oito anos e, diferente de grande parte da turma, seus problemas não eram apenas os cinco que estavam ali.
O primeiro foi muito fácil, chegou no resultado correto com uma soma simples seguida de uma divisão exata. Também não teve dificuldades com o segundo, nem com o terceiro e, apesar de ter levado mais tempo no quarto do que nos outros três juntos, conseguiu solucioná-lo depois de algumas tentativas.
Quarenta minutos foi o tempo que gastou pensando no último. Tentou de tudo, leu e releu as instruções, riscou e apagou os rabiscos com a borracha verde, quis desistir, quis sair correndo e não voltar mais.
Do outro lado da sala estava ele, calmo, imóvel, com todos os problemas resolvidos em cima da carteira, aqueles e outros que nem fazia conta.
Olhava para ela com ternura e compaixão. Queria poder estar lá ao seu lado catando os números certos perdidos no chão. Queria poder dar-lhe a mão e levá-la às respostas, a todas as respostas. Queria entender o que ela estava sentindo assim como entendia a matemática e as outras tantas ciências da infância, todas tão fáceis de calcular.
Entreolharam-se.
Do outro lado da sala, ela pôde ler seus lábios de menino: você precisa de ajuda?
… continua


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