O casal de velhinhos foi embora do cinema, cada um no seu carro, e eu chorei mais uma vez querendo ser Cécile De France. Um pacote inteiro de Frutella e um chá que prometia ter gosto de maracujá; quem realmente precisa comer direito num domingo à tarde?
A chuva não passou, o para-brisa do carro novo não era tão novo; carreguei as compras de supermercado pensando se a senhora que passeava com o cachorro sentia-se tão solitária assim.
A cidade estava úmida, não triste. E, então, conclui que se eu estivesse bem perto, o frio seria só um detalhe. Assim como a chuva, o filme francês e o menino todo machucado que não conseguiu fugir.
Da minha janela eu não sentia mais a falta. Ou a melancolia do mundo estava escondida embaixo dos guarda-chuvas ou era o mal tempo que não me enganava mais.





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