Nunca fui de ficar pensando nas conquistas do ano que está acabando, muito menos nos desejos para o ano que vai começar. Sempre achei isto tudo uma baboseira, coisa de gente que não tem muita história para contar ou histórias demais e acabam não dando importância para nenhuma delas. Só que o meu ano passou como um ônibus descendo a Cardeal Arcoverde. Café, almoço e janta. Café almoço e janta. E, quando o fim de semana chegava, café, almoço e janta em horários atrapalhados. Quando olho rápido para trás vejo um amontoado de dias como um novelo que foi se desfazendo e nada a ser lembrado. E se eu pensar rapidamente em algum momento feliz de 2011, me vem à cabeça as lichias que comi hoje à noite. Não me lembro de fatos semanais ou até mensais, não me lembro de grandes ocasiões deste mês, quiçá dos outros. Ah, me lembrei do jantar com o meu ex-namorado no Reveillon do ano passado, mas isto nem conta porque foi antes da meia noite.
Mas, como estou ficando velha, fui fazer o exercício de resgatar o ano que está quase terminando. Fiquei com uma certa preguiça porque minha memória já não anda das melhores. Mas fiz um esforço. Olhei mês a mês, peguei como referência os aniversários das pessoas, que quase sempre são ocasiões memoráveis, pensei nas épocas de frio e nas de calor (que quase sempre são no mesmo dia) e até que achei coisas relevantes. Passei de fevereiro à novembro trabalhando em um lugar novo onde conheci pessoas especiais que continuam perto de mim. Vi minha filha aprender a ler, escrever, somar e subtrair. Li poucos livros, menos do que eu gostaria, ouvi pouca música, bem menos do que eu gostaria. Tive pouquíssimos eventos sociais, lembro-me agora só do aniversário do dono da agência. Vivi momentos bons e ruins com o meu namorado que agora é ex e muitos momentos ruins quando terminamos. Não aprendi nada de novo, a não ser que trabalhar em uma corporação é algo bastante difícil para mim. Comi pouco. Bebi pouco. Só me lembro agora de um porre considerável que acabou em briga então não conta. Ri menos que nos outros anos, chorei pelos últimos três. Aproximei-me da minha mãe, afastei-me do meu pai. Estive bem mal de saúde, mas me recuperei. Fiz uma viagem internacional a trabalho que resultou em estresse e muitas compras. Larguei o trabalho para tentar ir atrás dos meus sonhos e confesso que já dei alguns passinhos. E depois de muito pensar, vejo que o ponto auge de 2011 foi eu ter mudado de terapeuta. Venho descobrindo muitas coisas novas como, por exemplo, que a felicidade vem em momentos de descuido.
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