Arquivo de dezembro \31\UTC 2011

2012

Diferente de todos os anos, uma onda de esperança invadiu meu coração e eu tenho SIM desejos para 2012.

1. Equilíbrio. Quero paz para viver o dia-a-dia.
2. Amizade verdadeira. Quero estar perto das pessoas que realmente me fazem bem.
3. Criatividade. Quero expressar minhas idéias e acreditar nelas mesmo que pareçam banais e pouco inusitadas.
4. Força de vontade. Quero cuidar do meu corpo sem precisar descuidar da minha saúde.
5. Sorte. Quero que a vida me ofereça novas saídas de trabalho para que eu possa sustentar a mim e a minha filha.
6. Cultura. Quero poder ler livros e assistir a filmes com muito mais frequência que nos outros anos.
7. Amor. Quero estar com alguém que me ame do jeito que sou, com todas os grandes defeitos e as pequenas qualidades.
8. Atitude. Quero ter perseverança para seguir em frente e não me entregar à preguiça ou ao desânimo.
9. Sanidade. Quero ter a capacidade de poder discernir os problemas reais dos imaginários.
10. Otimismo. Quero vencer os diabinhos que me perseguem todos os dias.
11. Humildade. Quero poder aceitar o que não consigo mudar em mim nem nos outros.
12. Saúde. É o que eu mais preciso.

Casamento

Depois de 23 anos juntos, minha mãe e meu padrasto se casaram no civil com uma cerimônia bastante emocionante. Todos estavam presentes. 5 filhos. 3 agregados. 4 netos. O 5º nasceu há 20 dias e ficou em casa. Duas sogras. Nenhum sogro. Muito frio em pleno 29 de dezembro. Coube bem à situação inusitada. Comemos churrasco argentino. Bebemos o suficiente para voltar de carro sem perder a carteira. A sobremesa estava especialmente gostosa. Os bem-casados cor-de-rosa combinaram com a decoração que fiz junto com minha irmã. Minha cunhada foi de muleta. Meu sobrinho de 6 meses ficou passando de colo em colo até desmaiar de sono. Minha filha estava mais linda do que nunca. Uma festa em família. Muito diferente da de Lars Von Trier. Uma festa calma, sem vexames e apenas uma revelação: o amor que já fora revelado 23 anos antes.

Tudo passa

O amor passa no minuto que você para pra pensar nisso. A dor passa gerundiando. A raiva passa quando o corpo pede arrego. A solidão, quando você tem o menor número de gente por perto. A tristeza passa com a piada da galinha manca. E a felicidade já passou. Ela vem antes do amor.

Eu tinha me esquecido de como este filme é bom

Fim de ano

Dá para ver a garoinha através da minha janela. Um homem, que deve estar tão entediado como eu, anda de um lado para o outro na varanda do seu apartamento que fica bem em frente. Dia feio em São Paulo. Hoje não tem maritacas se esgoelando nas árvores, nem muitos carros passando na rua. É sábado, mas todo mundo deve estar enfurnado em casa assistindo a filmes no DVD como se fosse uma tarde de julho ou nos shoppings fazendo suas compras de Natal. Já não se sabe o que fazer com tantos presentes, quanto mais com tantas sacolas de papel. Depois que as festas acabam, ficam amontoadas na lavanderia ocupando um espaço que já não existe. Para todo mundo, esta é uma época especial, mas para mim tem um significado um pouco diferente. Se o Natal cai num domingo, o Reveillon cai no domingo seguinte e o meu aniversário no domingo subsequente. É uma época complicada. Representa, literalmente, o fim de um ano e mais um número no meu calendário pessoal. É uma sensação de término muito mais forte. O mundo fica mais velho. E eu também.

Retrospectiva

Nunca fui de ficar pensando nas conquistas do ano que está acabando, muito menos nos desejos para o ano que vai começar. Sempre achei isto tudo uma baboseira, coisa de gente que não tem muita história para contar ou histórias demais e acabam não dando importância para nenhuma delas. Só que o meu ano passou como um ônibus descendo a Cardeal Arcoverde. Café, almoço e janta. Café almoço e janta. E, quando o fim de semana chegava, café, almoço e janta em horários atrapalhados. Quando olho rápido para trás vejo um amontoado de dias como um novelo que foi se desfazendo e nada a ser lembrado. E se eu pensar rapidamente em algum momento feliz de 2011, me vem à cabeça as lichias que comi hoje à noite. Não me lembro de fatos semanais ou até mensais, não me lembro de grandes ocasiões deste mês, quiçá dos outros. Ah, me lembrei do jantar com o meu ex-namorado no Reveillon do ano passado, mas isto nem conta porque foi antes da meia noite.
Mas, como estou ficando velha, fui fazer o exercício de resgatar o ano que está quase terminando. Fiquei com uma certa preguiça porque minha memória já não anda das melhores. Mas fiz um esforço. Olhei mês a mês, peguei como referência os aniversários das pessoas, que quase sempre são ocasiões memoráveis, pensei nas épocas de frio e nas de calor (que quase sempre são no mesmo dia) e até que achei coisas relevantes. Passei de fevereiro à novembro trabalhando em um lugar novo onde conheci pessoas especiais que continuam perto de mim. Vi minha filha aprender a ler, escrever, somar e subtrair. Li poucos livros, menos do que eu gostaria, ouvi pouca música, bem menos do que eu gostaria. Tive pouquíssimos eventos sociais, lembro-me agora só do aniversário do dono da agência. Vivi momentos bons e ruins com o meu namorado que agora é ex e muitos momentos ruins quando terminamos. Não aprendi nada de novo, a não ser que trabalhar em uma corporação é algo bastante difícil para mim. Comi pouco. Bebi pouco. Só me lembro agora de um porre considerável que acabou em briga então não conta. Ri menos que nos outros anos, chorei pelos últimos três. Aproximei-me da minha mãe, afastei-me do meu pai. Estive bem mal de saúde, mas me recuperei. Fiz uma viagem internacional a trabalho que resultou em estresse e muitas compras. Larguei o trabalho para tentar ir atrás dos meus sonhos e confesso que já dei alguns passinhos. E depois de muito pensar, vejo que o ponto auge de 2011 foi eu ter mudado de terapeuta. Venho descobrindo muitas coisas novas como, por exemplo, que a felicidade vem em momentos de descuido.

Um dia como outro qualquer

Dia cheio. Levar filha na natação. Buscar. Escrever. Pagar as contas. Almoçar com uma amiga de infância e falar sobre travessuras de gente grande. Ir à terapia. Tomar café. Pintar as unhas de preto. Escrever. Discutir com um colega de trabalho. Tomar banho. Escrever. Escolher uma roupa bonita. Beber cerveja com pessoas agradáveis em um lugar desagradável. Jantar com uma amiga de adulta e falar das bobagens que fazíamos quando éramos crianças. Terminar a noite contando uma história que parecia ter morrido há muitos anos, mas que ainda está viva em cada palavra.


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