Arquivo de novembro \30\UTC 2011
Houve amor quando ele entrou no quarto vestindo apenas roupa de baixo com duas xícaras de chá.
Houve amor quando ela comprou os óculos parecidos com o Ray Ban Aviator que ele tanto queria e não podia comprar.
Houve amor quando ela o largou.
Houve amor durante os anos que ficaram sem se falar.
Houve amor junto com todos os palavrões que ele vomitou porque não queria que ela o expulsasse de casa.
Houve amor quando ela desejou que o vulcão interrompesse o tráfego aéreo para a viagem não acabar.
Houve amor quando ele a traiu.
Houve amor quando ela o perdoou.
Houve amor quando não tinha nada mais fantástico do que ficar no quarto.
Houve amor quando ele esperava até duas da manhã para falar com ela por causa da diferença de fuso horário.
Houve amor quando era impossível estar junto.
Houve amor quando era impossível estar separado.
Houve amor quando havia 90% de chance dela não gostar do lenço azul, mas ele comprou mesmo assim.
Houve amor quando ela gostou do lenço azul principalmente porque tinha sido ele quem tinha dado.
Houve amor quando ela pediu para voltar.
Houve amor quando ele cansou de amar.
Na loucura, o relógio é um trapaceiro.
Principalmente aquele que tem frutas no lugar dos números.
Para o louco, as amarras são pedaços de pano.
E assim como a dor, o tempo jaz morto.
Enlouquecerá é o futuro do verbo amar.
À merda, o que se foi.
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