Arquivo de outubro \31\UTC 2011

Alain de Botton

“Tinha entendido que nunca mais conheceria significado ou alegria sem Eloise ao seu lado – uma sensação que, no entanto, diminuía estranhamente quanto mais parecia que esse privilégio não lhe seria de fato negado.”

Detalhes (não a do roberto)

Isadora (adoro este nome) pensa se Lucas (odeio este nome) ainda tem o moletom quadriculado que ela deu de presente numa data sem importância ou se já jogou fora e está junto com as suas fotos, as que ele tirou quando ainda usava o moletom quadriculado.

Isadora continua usando as roupas que ele não deu, mas elogiava. Outro dia, saiu com aqueles shorts jeans que antes eram calça e vêm durando assim como a sua paixão por Lucas (hipérbole). Eles são bastante colaborativos, acredita que seja por causa deles que conseguiu uma vaga no estacionamento lotado da Tok Stok (na sombra).

Mesmo depois de todo este tempo, Isadora não acredita que, por causa de uma briga, deu o casaco azul de Lucas para Geraldo (o porteiro). Ele deve usar com Marilha (empregada do 3º andar), que come de vez em quando (é casado). Podia estar hoje no seu armário e seria motivo para mais um email de Lucas pedindo para deixá-lo na portaria. No entanto, acha que Lucas deveria arriscar e vir até o seu prédio. É possível que seja dia de comer a Marilha e o casaco já esteja lá (lamenta).

Como está invadida pelos clichês do amor, Isadora decide rever o romance cuja personagem principal tem tudo a ver com ela (médio). Em outra ocasião, assistiriam juntos (abraçadinhos). Cogita a hipótese de que ele dormiria durante a sessão porque o filme é daquele diretor chato que ela não lembra o nome (rivotril).

No mais, sente sua falta (grifado).

Travesseiro

Troquei o meu travesseiro pelo teu para não ter que olhar para o lado. Meu pescoço não é dos melhores mas, ainda assim, dói menos que a minha consciência. Preciso conseguir dormir para não ter de encarar a batalha contra os pensamentos obsessivos. Mas parece que os ansiolíticos não fazem mais efeito, assim como as minhas palavras nas conversas virtuais.

Vale a pena ver de novo

Tinha certeza que ia encontrar você em algum lugar por acaso e, com uma cara irônica, comentaria tamanha coincidência.

Você, educado como sempre, retribuiria o sorriso fechando os olhos na tentativa de fazer aquele momento não existir.


Duas ou três palavras, um comentário sobre o trânsito, o tempo e a estampa da sua camiseta. Lá estávamos eu, você, a sua mão entrelaçada na dela e a comida que não desceu bem.


Cem anos da nossa solidão e, agora, um outro romance de cabeceira. Um livro novo, fácil, daqueles que vêm depois do que não terminava nunca.


Mas você não estava no bar, nem na esquina, nem no caminho novo que aprendi de tanto desviar dos nossos.
 E não foi por acaso.


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