A vidente

Um dia fui visitar uma daquelas mulheres que colocam as cartas na mesa.

Ela olhou uma figura de um cara enforcado, tremeu um pouco, e me disse: é agora ou nunca.

Esperou uma reação minha para que pudesse concluir seus pensamentos mas, como qualquer pessoa enforcada, eu não disse nada.

Nunca mais, o quê? Perguntei. E, de repente, a enforcada era ela.

Resolveu virar outra carta e, desta vez, apareceu uma mulher louca de ácido voando num céu colorido. Liberdade, ela disse. E continuou: É agora ou você nunca mais vai se libertar.

Esperou de novo uma reação minha, mas continuei calada. O cheiro de incenso me entorpecia mais que a maconha que aquela velha tinha fumado.

Libertar, do quê? Perguntei. Naquele momento, o que eu queria era me libertar dela.

Ameaçou virar outra carta, mas fechou o baralho. Não posso continuar, disse. Não é nada com você. Só acho que não estou preparada.

Gelei. Ela estava recebendo o espírito do meu ex-namorado.

4 Respostas para “A vidente”


  1. 2 Andressa setembro 17, 2010 às 12:24 am

    Amei …mais criativo impossivel. ;)

  2. 3 Naiana Carvalho setembro 24, 2010 às 2:11 pm

    Muito boa! rs O Bloguinho já está nos meus favoritos! Leve, real e atual!

  3. 4 A sem sapatos novembro 8, 2010 às 11:57 pm

    eu fui rindo aos pouquinhos desde as primeiras linhas. delícia de texto, carol.


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