O problema de colocar os filhos em escolas que seguem a linha construtivista é conviver com os pais dos amiguinhos; uma turminha formada por donos de ONGs, publicitários bem sucedidos, empresários da era da sustentabilidade, psicólogos e amigos da Heloisa Helena.
Primeiro veio a comoção geral ao constatar-se que as crianças já conseguem diferenciar círculos de quadrados. Talvez o momento mais humanista da reunião de pais que seguiu com a explicação do trabalho realizado durante o ano e culminou com uma discussão sobre a descoberta da sexualidade.
Não sei por que razão todo mundo adora falar deste assunto. Um engravatado começou (outro dia meu filho me perguntou o tamanho do meu pinto), daí veio uma outra (eu sempre digo para minha filha que ela pode fazer o que quiser com o “pipi” contanto que lave as mãos).
Bizarrices a parte, o troca-troca até que foi proveitoso. Agora tenho uma vaga noção de como agir caso minha filha comece a se masturbar no sofá da sala em pleno almoço de domingo.
Quando eu já estava me levantando para ir embora, lançaram o assunto mais polêmico da noite: a partir do ano que vem as crianças serão obrigadas a usar uniforme!
Parece mentira, mas a questão gerou uma discussão filosófica sobre a democracia, a liberdade de expressão, os direitos das crianças virem fantasiadas de Batman ou, se preferirem, de homem aranha.
De repente, eu estava no meio da revolução pré-escolar de 1968. Tive que pegar minha bolsa e sair correndo antes que começasse uma guerra de mini-cadeiras.

As pessoas têm um medo tão grande da ditadura, que qualquer tipo de restrição ou de ordem soa como autoritarismo. E e exageram, tudo fica “normal”…Um saco!