11

Milhares de pessoas morrem enquanto milhares de pessoas comem pão na chapa. Eu comia um pão na chapa quando o 2º avião se chocou com a 2ª torre do World Trade Center. O 1º eu não vi. Quase ninguém viu. Aconteceu bem na hora que tomavam banho, trocavam de roupa e lamentavam por mais um dia de trabalho. Quem estava com a televisão ligada assistia à Ana Maria Braga que devia estar conversando com um adestrador de hamsters.

Lembro como se não tivessem passado 8 anos. Depois da notícia estar em rede mundial, ninguém mais tirava os olhos da TV pendurada no alto da parede da padaria. Era muita fumaça, gritaria e os repórteres da Globo tentando manter a entonação blasé como se tivesse sido apenas um caminhão que tombou na Marginal.

Paguei a conta, entrei no carro e segui para a agência pensando nos bombeiros heróis, nos desavisados, nos que estavam no lugar errado na hora errada e nos homens e mulheres que, como eu, faziam o de sempre. Sentei na minha cadeira, liguei o computador e trabalhei exaustivamente enquanto acompanhava os detalhes da tragédia. O 1º mundo desmoronou bem diante dos meus olhos. Mas, diferente de todas aquelas pessoas, eu não estava morta no fim do dia.

11 de setembro

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