Arquivo para Junho 9th, 2008

A volta

Desde a madrugada do ano novo que eu não acompanhava o nascer do sol. Acordei às 6:03 e ainda estava escuro. Peguei o carro, ninguém na rua. Quando cheguei no parque Vila Lobos, ele estava pintado de rosa.
Carneirinhos em degradês de vermelho e roxo pulavam de trás dos prédios, achei que ainda estava dormindo. Alonguei cada um dos meus músculos que, diferente do dia, acordavam depois de um ano. Corri alguns quilômetros ao som da playlist “corrida 2″. A versão “corrida 1”, feita no ano passado, já não estava mais no ritmo. Não no meu.
De um lado do parque passa o rio Pinheiros, o que dificulta bastante o controle da respiração ritmada. Do outro, vem a lapa, a Vila Leopoldina e o conjunto de prédios no qual morei grande parte da minha adolescência.
Junto com os primeiros raios de sol, vi meus 15 anos refletidos naquelas janelas. Senti de novo o gostinho de ser amada pela primeira vez. E foi então que eu pensei: melhor do que sonhar com o futuro é acordar com o passado.
Dei a volta toda na pista e, com aquela sensação de dever cumprido, comecei a caminhar. Ao meu lado, os velhinhos faziam tai chi chuan, os playboys jogavam tênis e eu sentia de tudo um pouco. Nada melhor do que extravasar correndo no parque. Você pode berrar, todo mundo está com fones de ouvido. Você pode morrer de chorar, todo mundo vai pensar que você só está suando.

Foto: Selenis

Omelete a la casa

O fim de semana terminou, acho que o saldo foi positivo. Balada falida na sexta, meu Deus, o que foi que eu fiz no sábado? Ah, lembrei. Fui ao cabeleireiro e pintei o cabelo de escuro. Se ficou bom? Não sei. Mas mudei, não agüentava mais aquele visual adolescente com cachos dourados no meio das costas. Também coloquei o sono em dia e ainda preparei um maravilhoso omelete com abobrinhas e queijo parmesão. Estou aprimorando meus dotes culinários. É verdade, no entanto, que as variações de omelete têm sido uma constante. Já experimentei receitas com shimeji, batatas gratinadas, tomates e muzzarela de búfala; todos ficaram excelentes.
O domingo foi festa em família. Engraçado como estas comemorações ganham novas formas a cada ano. As pessoas mudam, todas envelhecem. As crianças vão ficando menos alegres, ao contrário do aniversariante de 58 anos que, por passar o dia inteiro sorrindo, acaba por denunciar todas as suas marcas de felicidade.
Como fim de domingo é sempre meio deprê, nem me importei em passar o pôr do sol olhando para a luz do monitor do computador. Fui até a agência, adiantei algumas coisas para a 65º concorrência deste mês e agora estou fazendo uma nova seleção de músicas para o meu ipod. Nove de junho é uma boa data para se colocar em prática resoluções de ano novo. Portanto, amanhã volto a correr. E pelo menos a trilha sonora promete agüentar uns 40 minutos.

foto: Mochene