Arquivo para Maio 30th, 2008

Sem saída

Não tenho saída, tenho que ir. Vou lá encarar aquele bando de gente olhando pra mim sem entender nada do que eu tô falando. Vou lá, né? Vou respirar fundo e enfrentar a parada. O que são 10 minutos perto de uma vida inteira cheia de contratempos? Fui eu que escolhi, eu podia estar em casa estudando filosofia e, de repente, encontrar alguma resposta mais razoável pra existência humana. Mas, não, em algum momento de total inconsciência, decidi que passaria a vida vendendo coisas. E foi, então, que eu me vendi. Me rendi à própria tentação de fazer tudo o que não faz diferença nenhuma na vida das pessoas. Só na minha.

A calma

O que falar quando não há nada para ser falado?
Estranho não sentir nada, não estar nervosa com a apresentação para 150 pessoas, não estar ansiosa com a festa, não estar irritada… epa, eu não estou irritada?
Alguma coisa está muito errada.
Eu sempre tenho algo pra falar, pra contestar invariavelmente.
Onde foram parar todas aquelas palavras que escapam, que cortam, que desarmam?
Não é possível que não me venha nada à cabeça.
Preciso alimentar meu cérebro com alguma coisa, um brigadeiro talvez.
Não, também não estou com fome.
Estou saciada de idéias, de prazer, de expectativas.
Meu Deus! O que pode ser isso, alguma doença da alma?
Vou sair correndo pela rua, gritar um palavrão bem alto.
Não quero, prefiro ficar aqui sentada, calada.
Será que cansei de andar pela via de mão única e não quero mais sair do lugar?
Ah, então é isso, acabou a pilha da montanha russa.
Mas e agora, do que é que eu vou brincar?