Arquivo para Maio, 2008

Sem saída

Não tenho saída, tenho que ir. Vou lá encarar aquele bando de gente olhando pra mim sem entender nada do que eu tô falando. Vou lá, né? Vou respirar fundo e enfrentar a parada. O que são 10 minutos perto de uma vida inteira cheia de contratempos? Fui eu que escolhi, eu podia estar em casa estudando filosofia e, de repente, encontrar alguma resposta mais razoável pra existência humana. Mas, não, em algum momento de total inconsciência, decidi que passaria a vida vendendo coisas. E foi, então, que eu me vendi. Me rendi à própria tentação de fazer tudo o que não faz diferença nenhuma na vida das pessoas. Só na minha.

A calma

O que falar quando não há nada para ser falado?
Estranho não sentir nada, não estar nervosa com a apresentação para 150 pessoas, não estar ansiosa com a festa, não estar irritada… epa, eu não estou irritada?
Alguma coisa está muito errada.
Eu sempre tenho algo pra falar, pra contestar invariavelmente.
Onde foram parar todas aquelas palavras que escapam, que cortam, que desarmam?
Não é possível que não me venha nada à cabeça.
Preciso alimentar meu cérebro com alguma coisa, um brigadeiro talvez.
Não, também não estou com fome.
Estou saciada de idéias, de prazer, de expectativas.
Meu Deus! O que pode ser isso, alguma doença da alma?
Vou sair correndo pela rua, gritar um palavrão bem alto.
Não quero, prefiro ficar aqui sentada, calada.
Será que cansei de andar pela via de mão única e não quero mais sair do lugar?
Ah, então é isso, acabou a pilha da montanha russa.
Mas e agora, do que é que eu vou brincar?

Fazendo planos

Que saudade

Que saudade da minha casa nova, da minha cama com lençóis perfumados que acabaram de sair da gaveta, da minha TV ligada sozinha sem ninguém assistir. Que saudade do fim de semana que é fim e não continuação, do cineminha à tarde com café e pão de queijo na saída. Que saudade da minha filha, que eu não vejo há 48 horas. Que saudade de mim, que eu não vejo há muitos meses.

Suas antigas risadas

Vinte anos atrás, uma hora era uma eternidade, os pinheiros na estrada contavam os minutos que ainda faltavam, o pãozinho com manteiga que a avó tirava da bolsa ainda embrulhado no papel da padaria marcava a metade do caminho.
Vinte anos depois, as ruas estavam asfaltadas, havia mais postes, menos luz. As novas casas eram mais suntuosas, os antigos sítios se esconderam atrás do mato que não crescia mais solto, assim como as crianças que agora olhavam duas vezes antes de atravessar.
Teve que ser anunciada, mesmo ainda vendo no chão as marcas dos seus pesinhos sujos de barro. O portão eletrônico não a reconheceu, o guardinha que gentilmente baixava a corrente devia estar de folga já há um bom tempo.
Entrou no condomínio e sentiu aquele cheiro de história guardada. Ela não precisava mais se encaixar no pequeno espaço entre a porta e o banco da frente para sentir o vento no rosto. Esticou o braço para fora da janela, respirou o resto de ar puro do mundo e pegou de volta todas as suas antigas risadas.

No comments

Deve ser muito bom viver e um dia ter uma grande realização. Acho que o Fernando Meirelles já conseguiu a dele.

Beijos Molhados

Impossível listar todos os grandes beijos do cinema, mas e os que aconteceram embaixo de chuva? Fiz uma seleçãozinha de alguns que gosto muito, tenho certeza que tem muitos outros que não estou lembrando. Beijos molhados a todos.

Breakfast at Tiffany’s

Cinema Paradiso

Four Weedings and a Funeral

Não achei só esta cena, mas ela está aí nesta compilação.

Homem Aranha

Great Expectations

O café

Não teve coragem de tirar a camiseta branca surrada, mas vestiu uma malha de lã por cima. Lavou o rosto, seus olhos ainda estavam fundos. Era a ressaca dos últimos anos. Os cabelos longos continuavam praticamente iguais ao momento que se deitou, apenas alguns novos cachos que nasceram com o novo dia. A franja precisou ser alisada com secador. O alinhamento impecável dos fios deixava seu rosto muito mais harmonioso. Escolheu os sapatos certos para aquela blusa e um chapéu de veludo verde que arrematou a composição; o dia estava dourado demais para ela errar nos tons. Em menos de cinco minutos já estava no café da praça que, como sempre, a esperava com um cappuccino e um brioche raisin. Sentou-se, olhou para o seu reflexo na xícara de porcelana e sorriu. Estava muito mais bonita que no dia anterior.

Rabiscos e rebarbas

Pequenas frases, grandes idéias

Só quem trabalha com internet sabe o que é twitter, mesmo assim nem todo mundo. Enfim, twitter é um mini-blog que funciona em cima de mini-frases sem compromisso. E, se você é um curioso digital, cria sua rede de amigos e fica sabendo tudo que tá acontecendo na vida deles.
Sou curiosa, tenho twitter, e, além de acompanhar o dia-a-dia da minha seleta turminha web 2.0, sigo agora os mini-pensamentos de 3 amigos. Eles usam o twitter para postar mini-contos, mini-idéias, mini-insights. Sigam-me nessa dica, vale a pena.

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