Arquivo para Abril 28th, 2008

Maria

Todo mundo tem uma crônica de bolso, eu acho. A minha é a mesma desde que tenho 15 anos. Paulo Mendes Campos não fez tanto sucesso na história da nossa literatura. Mas confesso que fez uma diferença absurda na minha. Até hoje, depois da centésima releitura, me emociono com as palavras que ele cuidadosamente escolheu para explicar a vida para Maria da Graça.

Aqui vai um trecho de “Para Maria da Graça” de Paulo Mendes Campos:

“Toda a pessoa deve ter três caixas para guardar humor: uma caixa grande para o humor mais ou menos barato que a gente gasta na rua com os outros; uma caixa média para o humor que a gente precisa ter quando está sozinho, para perdoares a ti mesma, para rires de ti mesma; por fim, uma caixinha preciosa, muito escondida, para grandes ocasiões. Chamo de grandes ocasiões os momentos perigosos em que estamos cheios de dor ou de vaidade, em que sofremos a tentação de achar que fracassamos ou triunfamos, em que nos sentimos umas drogas ou muito bacanas. Cuidado, Maria, com as grandes ocasiões.”

Se alguém quiser ler a crônica inteira:

http://www.geocities.com/rcultural/cronicas/Campos/paramaria.html

Lado B

Música é um assunto que eu não domino, não que eu domine muitos. Mas, apesar de não ter a menor noção de qual é a banda londrina mais cool do momento, tenho uma ligação doentia com música. Doentia porque fico doente quando encano com uma. Deixo em looping e, enquanto minha vida não pula de faixa, as 24 horas do meu dia são divididas em frações de três minutos. Isso tem um pouco a ver com a maneira que eu levo todas as coisas. Seria ótimo, inclusive, que essa intensidade ficasse só na categoria trilha sonora e que todas as outras, roteiro, direção e efeitos, fossem bem superficiais.
O fato é que eu consigo pontuar as minhas fases (ou semanas) pelas músicas. Quando escuto uma delas, sou capaz de viver tudo de novo, elas invadem o lugar exato do meu cérebro onde ficam as memórias. Parece até que tem um álbum de fotografias entrando pelos meus ouvidos. O botão do play abre a caixa de Pandora e liberta todos aqueles sentimentos, sensações e cheiros que estavam trancados a sete chaves.

PS: Eu ouvi esta música umas 15 vezes enquanto escrevia este texto.