Domingo já é um dia triste, com essa chuvinha tipicamente paulistana então, lágrimas torrenciais. As ruas ficam desertas, as pessoas estão certamente nas locadoras de dvd que certamente estão escorregadias e com triângulos amarelos alertando “cuidado para não virar uma comédia”. Ao contrário de mim, meus cabelos ficam oriçados e o guarda-chuva pingando vira a companhia perfeita. Isso quando ele aparece porque, como todas as pessoas que não estão nas locadoras, ele se esconde.
Impossível entrar no drive thru, impossível entrar em qualquer shopping center. Não que estejam necessariamente lotados, mas porque não dá para entrar num shopping aos domingos sem sentir que qualquer outro programa seria mais produtivo. Gloria Maria não existe na minha vida há anos, nem no Fantástico ela existe, aliás. O aviso “o fim de semana terminou” vem com o boa noite do porteiro plantonista, o barulho irritante dos motoboys trazendo pizzas e o resto da programação da TV a cabo, lamentável.
Já cheguei a pensar que o ideal seria eliminar este dia do calendário, mas isto seria uma baita sacanagem com o sábado, há milhares de anos no topo das paradas de sucesso. O jeito é fechar os olhos, ou a cortina, e fazer uma pipoca de microondas. Podia ser pior, podia ser segunda-feira de manhã. E se você for pensar com carinho, o domingo tem uma qualidade incontestável, é o dia mais distante do próximo domingo.
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